CARTA
Carta
escrita por D. Bonhoeffer no presídio
de Tegel (Berlim) para Eberhard Bethge em
21 de julho de 1944.
"Lembro-me de uma conversa que tive há
13 anos na América com um jovem pastor
francês".
Simplesmente, nos pusemos a perguntar um ao
outro sobre o que afinal desejávamos
da vida.
Então ele disse: eu gostaria de tornar-me
um santo (e eu acredito que ele o conseguiu).
Aquilo me impressionou profundamente. Mesmo
assim eu me opus e disse, com efeito, que
eu gostaria de aprender a crer. Por muito
tempo não compreendi a profundidade
deste contraste.
Pensei que pudesse aprender a ter fé,
vivendo eu mesmo algo como uma vida santa....
Mais tarde eu experimentei e experimento até
este momento que só vivendo plenamente
neste mundo aprendemos a crer. Quando desistimos
completamente de fazer algo importante de
si mesmo, ou seja, ser um santo ou um pecador
convertido ou um eclesiástico, um justo
ou um injusto, um doente ou são. Viver
plenamente neste mundo significa viver na
plenitude das tarefas, dos problemas, dos
sucessos e fracassos, das experiências
e perplexidades, assim nos lançamos
completamente nos braços de Deus, e
não mais levamos tão a sério
os nossos próprios sofrimentos, mas
levamos a sério o sofrimento de Deus
no mundo, e então vigiamos com Cristo
no Getsêmani e penso que isto é
fé, isto é arrependimento. Assim
nos tornamos cristãos e homens. Quem
se tornaria arrogante com os sucessos ou desanimado
com os fracassos, tendo uma vida assim, participando
dos sofrimentos de Deus?
Creio que entendes o que quero dizer, mesmo
que o diga assim em poucas palavras. Sou muito
grato por ter podido descobrir isso e sei
que só o pude mesmo reconhecer no caminho
que tive de andar.
Por isso lembro com gratidão e em paz
do que passou e permaneço assim no
presente....
Deus nos guie com sua bondade através
dessa época, mas acima de tudo Deus
nos guie até a sua presença.